ELE CONTINUA VELHO, CHATO, FEIO, MAU E SEM-VERGONHA, OU SEJA, UM TÍPICO CONSERVADOR.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
Seja mais uma vez bem-vindo ao espaço do velho Baltazar | comendadorbaltazar@gmail.com
relíquia do velho
visite também
Comendador Baltazar (original)
Valleta Culltural
O Escrevinhador
Acreinfuso
Paisagens Remotas
Aliás, Revista Eletrônica
Atire no dramaturgo
Artur de Carvalho
Reduto do Comodoro
Klick Escritores
La Photo
Rugik
Olga's Gallery
Green Peace
Loaded
Sons de Sofia
Wandula
Short Waves
Tom Waits
Kaizers Orchestra
Neko Case
Calexico
Flogging Molly
Levellers
New Model Army


De molho estava eu por uns dias afinco, por causa dos tantos outros dias que fiquei enfiado no mato, na montanha, no fim do mundo. Bom, a recuperação desta minha aventura estava difícil, afinal de contas, chutar flores, correr de abelhas e outros modelos de animais, além de apedrejar árvores, formigueiros, cupinzeiros e sei lá mais o quê, deixou-me enfastiado e exausto. No entanto coisas boas me aguardavam nos dias seguintes, ainda bem. Meus amigos, eufóricos, ligavam-me sem parar, mas como não tenho o hábito de atender a telefonemas nem os atendi. Mas isso também foi por uma simples conseqüência. Nada pessoal. Como descobri que eram eles que ligavam sem parar? Contaram-me mais tarde enquanto enchíamos a cara, ou quando eu lhes contava sobre meu isolamento de tudo e todos, sobre meu desenvolvimento como pessoa, sei lá.

Continuando; momentos após os incessantes telefonemas alguém tocou a campainha. Logicamente que não a atendi, assim de primeira. Gosto de fazer um pouco de suspense... Na verdade não gosto de atender à portas, ou à telefones, ou à janelas, ou qualquer coisa do gênero. Fato é que fui obrigado a atender desta vez por que não tinha mais ninguém em casa além de mim, do gato e do cachorro. Impressionado fiquei em saber que quem tocava a campainha e já partia para os murros e ponta pés na porta era o Odil... O velho Odil. Estava ele, parado, ali, com um sorriso largo e os olhos também parados a me convidar para a festa do quarto aniversário do Ao Distinto Cavalheiro.

Como ele sabia que eu tenho um pequeno problema com localizações ele mesmo se dispôs me pegar em casa. Assim sendo eu pedi um tempo para me aprontar e rumar com ele para o boteco. Tinha de aproveitar a ocasião porque não é sempre que o dono de um estabelecimento vem à minha casa para me levar à festas. Deixe-me agora encurtar um pouco desta história, pois ainda estou cansado das minhas aventuras. Chegamos todos (eu, o proprietário do Distinto, o Pereirinha, o Adalberto, com seu rádio de ondas longas, ondas médias, ondas curtas e almost waves, e lógico, o Azambuja) no bar dentro do super, hiper, duper e equipadíssimo carro do Odil. Aliás... Deixa pra lá.

Veja; o bar estava a ponto de explodir, de tanta gente que estava por lá. Políticos de todos os níveis hierárquicos faziam suas demonstrações beberrônicas naquela animadíssima tarde sem precedentes, além dos velhos companheiros de copos e dos habitués. Veja só que coisa interessante: neste ano, para comemorar mais um de existência do Distinto na vida dos que apreciam um belo chope, o Cirque du Soleil, aproveitando a passagem e quantidade exorbitante de dinheiro que arrecadou no Brasil, resolveu dar uma esticadinha e uma canja em Curitiba. Mais precisamente na festa do boteco. E ao som estonteante da banda de fanfarra eles fizeram suas mirabolantes apresentações.

Enquanto o pessoal babava, tanto de olhar as peripécias dos artistas circenses que pulavam de um prédio a outro feito pererecas gigantes, quanto de tanto beber. Falando em babar de tanto beber; muita gente ficou assim pelas calçadas, incluindo os artistas mais tarde. A festa desta vez terminou diferente, e com chave de ouro também. Sabe desses aviões que são utilizados para apagar fogo? Pois então; foi usado para despejar chope na moçada que estava espalhada pelo quarteirão. E quando deu um vôo rasante abriu as portas da aeronave e, literalmente, lavou a alma de quem estava por lá. Uns, inclusive, quase entraram em coma alcoólico de tanto chope que ingeriram. Para os jornalistas internacionais que lá estavam certamente publicarão que houve neste dia um verdadeiro dilúvio. Já os artistas foram embora com a onda de chope que foi gerada pelo avião. Menos mal, não agüentava mais ver aquele povo voando, e pulando e saracoteando pelas localidades. Ai, ai, mas é isso. Preciso tomar uns remedinhos para o fígado, estômago, cabeça, circulação do sangue e não sei mais o quê. Desta vez o day after foi assustador para mim. Agora preciso pegar um táxi aqui, neste hospital, que me leve para casa. Até semana que vem.


Estava todo mundo tão bêbado que até as mulheres resolveram mostrar que entendiam de malabarismos e coisa e tal. No entanto elas demontraram tais habilidades nos dois sanitários do bar. Trancadas. Logicamente que essas demonstrações inebriantes nos impediram de aliviar nossas bexigas, que, aliás, estavam cheias de pressões.


Como já estava todo mundo doidão de tanto beber, as únicas alternativas para aliviar tais pressões urinárias foram os parques e praças. O espaço mais disputado no dia foi o Parque Barigui, que ficou lotado de clientes do Distinto, todos fazendo seus xixizinhos ao ar livre. Ô coisa boa.


Enquanto o pessoal ouvia o grupo que tocava as músicas sem parar, e todos se acabavam de tanto tomar chope os tipos do tal Cirque du Soleil faziam suas apresentações... olha, foi até pena de ver, pois os gringos não conseguiram "bater" nos nossos artistas... esses adoráveis músicos que sempre vão ao Distinto para nos animar .

Oiram Bourges - 02:07 para cima
Sexta-feira, Outubro 20, 2006


As pessoas andam carentes de coisas boas em suas imprestáveis, maculadas e indirigíveis vidas. Percebo facilmente este tipo de coisa assim que vejo suas caras amarrotadas e empapuçadas de desgosto pendendo para os lados a lamuriar. Pensando nisso, e aproveitando o enorme sucesso de vendagem da Cartilha do Bom e do Mal Entendedor da Prática do Bem-viver resolvi escrever mais uma encheção de saco, digo, mais um livro aos ávidos por novidades... Àqueles que acumulam as porcarias nas prateleiras de suas enfadonhas casas como se estivessem guardando relíquias.

Bom, voltando ao tal livro; o título desta obra... Se é que isto possa ser chamado assim... Ã... É: "Anime-se, erga o queixo e cuspa para fora... Mas tenha cuidado para não sujar a casa". Concordo que o título ficou um pouco longo, mas reflete bem o significado dos meus pensamentos, e certamente fará com que o leitor também reflita sobre o significado de seus próprios pensamentos. Isto se tiver algum significado, ou mesmo, pensamentos em suas cabeças bolorentas também.

Veja; com tantas preocupações e ocupações de tempo sem sentido mostrarei, a partir de agora, alguns itens que compõe o tal livro. Mas também não divulgarei tudo por motivos de segurança... Minha segurança. Econômica, pelo menos. Por que senão todo mundo lê o que eu escrevo gratuitamente e eu não ganho nada com isto. Se bem que, tanto faz também. Nunca ganho nada mesmo. Então aí vai:

Item 1) Ao acordar cedo procure voltar a dormir o quanto antes para não se arrepender amargamente mais tarde. Isto por ter levantado naquele horário e ter deixado de aproveitar mais o conforto de seu admirável e confortável leito. Local este que costuma venerar e descansar. Agora tem uma coisa; se por um acaso você não pensar assim mude de leitura imediatamente e não me faça perder tempo em escrever isto aos que desejam contestar meus pensamentos;

Item 2) Se comer coisas boas é para você, um gourmet nato, algo fantástico, mas lhe privam de tal atividade frequentemente com desculpas de que vai engordar e vai morrer e vai explodir e qualquer coisa mirabolante deste gênero tente fazer assim: continue comendo, digo, degustando. Afinal de contas esta atividade é assaz prazerosa, e só tem efeito naqueles que realmente entendem de comida, e não de comilança. Porque aos comilões desejo, a todos eles, para irem se danar. Ã... Bom; continue degustando de seus preferidos, mas tenha cuidado para não te verem atacando a geladeira, ou o fogão, ou qualquer outro lugar onde possam estar os quitutes de sua preferência. Mas, se por um acaso te flagrarem com as mãos afundadas na comida diga-lhes que você escorregou e se apoiou na primeira coisa que surgiu na tua frente. Agora se o alimento estiver guardado, e muito bem guardado, invente uma outra desculpa. O importante é não dar o braço a torcer, pois é justamente disso que os futriqueiros se servem. Consecutivamente tal atitude fatalmente servirá de motivo para caírem no teu lombo e te fazer esboroar moralmente.

Veja; poderia aqui mencionar muitos outros itens. Discorrer sobre eles se assim fosse preciso, e se assim os quisesse também, mas passaria a escrever, quem sabe, muitas escatologias e outras coisas que talvez nem fosse sobre o mesmo tema. Assim sendo, detenho-me em apenas informar sobre a publicação de tais escritas, tais ensinamentos, tais descomunais e insólitas besteiras. E para completar gostaria de avisar que já cansei disso tudo. Vou é me sentar na velha e podre poltrona e abrir uma lata de cerveja. Quero me deliciar com esta bebida sem ocupar minha mente com coisa alguma... Você quer saber mais sobre o livro? Ora essa; nem quero saber das tuas dúvidas.


Esta foi a "bonitinha" que tentou organizar o tumulto formado na fila durante a noite de autógrafos.


Este foi o sujeito que estava agenciando meu livro. Mas não gostei dele. Depois que, com muito custo, foi vendido o décimo livro ele sacou de minha cerveja, abriu e bebeu tudo alegando que tal situação merecia festejar. De certa forma ele até teve razão, pois das sete horas que ficamos na livraria foram vendidos apenas quatorze exemplares, e ainda assim um foi por engano. Talvez a péssima venda tenha sido pela pouca divulgação... é isso. Só pode ser isso.

Ps: Quanto ao tumulto na fila que mencionei anteriormente, cujo a "bonitinha" suou para tentar resolver tal problema, explicarei agora: as pessoas, durante todo o momento que estivemos na tal livraria, pensaram que fosse alguma empresa farmacêutica oferecendo remédios aos transeúntes que se batiam feito moscas nas portas de vidro na rua.

Oiram Bourges - 19:13 para cima
Terça-feira, Outubro 10, 2006


Parte II... e final também

Não demorou muito, pelo menos assim penso eu, para conseguir carona. Como eu estava parecendo um xaxim ambulante, pelo fato de ter rolado uma montanha inteira, e ficar com os braços, e as pernas, e a cabeça, e as costas e o peito cheio de mato, grama e algumas flores... Odeio flores... Ã... Mais o cachorro urinando de quando em quando nas minhas pernas, e ainda, uma porção de abelhas querendo fazer uma colméia embaixo de uma das minhas axilas um carroção do circo me catou e me jogou no fundo do veículo para, na certa, fazer-me de atração em seus espetáculos. Ora essa! Que coisa mais absurda esta, pensei. Assim é que não posso ficar, continuei pensando. O que fiz? Como estava protegido pelas plantas tratei de me jogar do tal carroção para a estrada.

Por sorte minha o infeliz do cachorro estava agarrado nas minhas pernas, e quando caímos fui amortecido pelo animal. Bom, ninguém mandou fazer isso comigo. Continuando; lá pelas tantas eu lembrei de quem eu era e em qual sociedade eu vivia... Quase chorei por isso. Mas também logo passou esta vontade. Ainda bem, pois o vira-lata já estava com seus dentes à mostra para meu lado. Acreditei que isto não fosse nada bom, principalmente na situação em que me encontrava. Portanto, para manter o ânimo do bicho e mostrar a ele quem deve ser respeitado, dei-lhe um chute em sua bunda. Desta maneira ele continuaria andando, bem animadinho por sinal, e ainda, saberia quem é quem nesta história toda. Coisa esta que, aliás, não tem a menor importância também.

Só sei que lá pelas tantas, só não sei a quantas foram, consegui chegar em minha casa. Logicamente que estava acompanhado pelo tal cachorro. Na verdade, um grude, pois não me largava de jeito nenhum. E sabe que tive de conversar muito para conseguir convencer o porteiro do prédio de que eu era realmente eu mesmo. E que este vira-lata era o mesmo vira-lata, apesar de eu ter minhas dúvidas a respeito. Se bem que, como disse em outro momento, cachorro é tudo igual. Poderia ser qualquer outro que estaria valendo do mesmo jeito.

O problema é que minha senhora, a Olga, que saiu desesperada daquele lugar com meu fusca, não quis ficar com este cachorro. Disse que não era o mesmo, estava estranhando o gato, rasgando as cortinas, cagando pelos cantos do apartamento, urinando por tudo quanto é lugar, destruindo os chinelos e avançando em todo mundo que por ele passava. E o pior; ordenou com que eu devolvesse este monstro para seu devido lugar e resgatasse nosso antigo guapeca. Eu sinceramente não percebi muita diferença deste que estava com a gente do daquele outro que ficou lá na montanha. Enfim, eu é que não queria discutir com ela. Difícil é encontrar este vira-lata novamente. Bobão do jeito que é já deve ter virado sabão em alguma fazenda da redondeza, ou virado comida de algum gato do mato, ou sei lá o que pode ter acontecido a este infeliz. De qualquer maneira espero encontrá-lo logo por que não agüento mais esta situação vexatória.


Estes malditos animais foram os causadores de tamanha confusão em meu lar. Mas tudo bem, consegui resolver esta parada com certa facilidade.

Oiram Bourges - 23:32 para cima


Parte I

Cansado de gritar, cuspir e correr de um lado para outro sem motivos plausíveis, lógicos ou mesmo ilógicos, e ainda, xingar tudo quanto era ser que vivia naquele inóspito lugar, além de apedrejar tudo quanto era coisa que se mexia ou permanecesse imóvel, decidi que era momento de voltar para meu lar. Aquela situação me deixou irreconhecível até para mim mesmo. Os insetos, que outrora me se aproveitavam de meu sangue e de minha carne, também desistiram de mim. Estava tudo tão chato que não vi mais graça ficar lá, no meio do mato, no meio da montanha, no meio do nada. A única coisa, digo, os únicos seres que ainda ficaram lá foram as pulgas do cachorro. E veja, até o vira-lata, que logo na primeira semana de estadia naquele fim de mundo, sumiu de perto de mim.

O primeiro passo para a minha saída era realmente sair definitivamente de lá, e sem demora. Pensando desta maneira peguei todos os meus pertences; uma escova de cabelos, que servia tanto para pentear os fios solitários e conservadores tanto para escovar meus próprios dentes, quando assim lembrava de fazer. Meu surrado e praticamente esfacelado casaco que servia para me agasalhar durante as frias noites, e meus sapatos, que estavam praticamente em igual estado de conservação que o casaco. Resumindo; eu parecia um eremita, ou, um favelado mesmo.

Como estava sozinho não tinha ninguém que decidisse por mim. Eu podia fazer o que quisesse. No entanto, isto me causou pânico em alguns momentos. Numa proporção de quase todo o tempo que estive lá, pois não sabia direito o que fazer, nem como fazer, quando precisava fazer. Nem por isso deixei de me divertir, quando conseguia, e espantar meus fantasmas, que, aliás, eram muitos. Agora o que me deixou pensativo foi o fato de eu não saber como voltar. Mas a vontade deste ato era tão grande que o medo não me impediu de que eu realizasse meu intento.

Apesar da dúvida de como voltar eu me aventurei nesta empresa. E quando estava com a coragem sob meu peito inflado de paixão pela aventura meu cachorro voltou feito um desesperado da mata. Está certo que estava tudo diferente; latido, tamanho e cor da pelagem, mas como parto da premissa de que todo vira-lata é igual nem liguei, fiz vistas grossas para a distinção deste caso. Então, agarrado às minhas tralhas e dispondo de uma louca vontade de cair fora do morro onde eu me encontrava parti, junto com o novo animal de estimação, rumo à civilização. Percebi que necessito de humanos para rir melhor, pois esta raça me desperta tal vontade sem muito esforço.

Bom, logo no primeiro passo para descer a tão detestável montanha eu resvalei num cocô de passarinho e rolei morro abaixo. E quase um dia inteiro rolando aquela porcaria sem parar eu fiquei desacordado por algumas horas, ou dias, ou semanas talvez, sei lá. E quando acordei era dia, e fazia um sol danado, e queimava tudo, e aquilo me enfurecia muito, e eu não sabia o que fazer, e eu não sabia quem eu era direito. Isso queria dizer também que eu estava perdido. Mas tudo bem, sabia que em algum tempo eu recobraria minhas lembranças elevadas, e ao mesmo tempo, opacas.


Aqui ainda tinha a companhia da Olga, mas esta desistiu rapidamente de minhas tortuosas atividades como o selvagem da montanha.

Oiram Bourges - 23:24 para cima

This page is powered by Blogger. Isn't yours?